sábado, 17 de janeiro de 2015

Limpeza de estofados

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Linha vermelha...


domingo, 17 de junho de 2012

Dinheiro no Divã


Muito bom esse artigo da Iara Biderman da Folha de São Paulo!
É incrível como o dinheiro está intimamente ligado às nossas emoções e nosso inconsciente.
O dinheiro tem sido mesmo a raiz de todos os  males...
Casais se separam, pais e filhos se voltam uns contra outros, amizades acabam etc...
Cada um tem um uma maneira de se relacionar com o dinheiro e cabe a cada um de nós identificar nossos pontos fracos e tentar melhorar, ou melhor, tentar encarar nossas falhas prá ter uma relação saudável com o dinheiro e como consequência uma vida financeira plena.
Aproveite bem essa leitura!

por Raquel M. Chagas













O jeito que você administra sua vida financeira revela muito do seu inconsciente; dificuldades para lidar com a grana causam mais neuroses do que problemas sexuais, diz psicanalista 


Diga-me como você usa o dinheiro e eu lhe direi quem você é.
Independentemente das taxas de juros ou das regras da poupança em vigor, a forma como cada pessoa leva sua vida financeira está muito mais ligada a aspectos de sua personalidade do que ela gostaria de imaginar.
Como ferramenta para desvendar o inconsciente, o dinheiro é o novo sexo, segundo o psicanalista venezuelano Axel Capriles, autor de "Dinheiro - Sanidade ou Loucura" (ed. Axis Mundi, 192 págs., R$ 32).
"O papel que a sexualidade desempenhou para a psicologia de Freud foi trocado pelo complexo do dinheiro. Há muito mais loucuras e doenças associadas ao dinheiro do que ao sexo", afirma o psicanalista.

AVAREZA
Embora não tenha dado essa mesma ênfase à força da moeda, Freud não deixou de apontar o seu papel na mente e no comportamento humano. A avareza, especialmente, foi objeto de estudo do pai da psicanálise.
Na teoria freudiana, a relação com o dinheiro está ligada à fase anal. "As fezes são o primeiro objeto de troca, a primeira coisa que a criança tem para negociar", diz o psicanalista Jorge Forbes.
Segundo Freud, o jeito que a criança negocia o afeto da mãe, retendo as fezes, por exemplo, influencia a forma que ela vai lidar com sua vida financeira no futuro.
Para Forbes, o trato com o dinheiro não é um carimbo para determinar um tipo de personalidade, mas pode, sim, dar pistas de quadros psicológicos.
Assim, uma neurose obsessiva pode se manifestar no pão-durismo; o desdém pelo dinheiro pode ser uma histeria e o esbanjamento, um quadro maníaco.
Mas essas patologias entram na conta-corrente de todo mundo? "São extremos, mas essas características entram na vida cotidiana de cada um, o que há é uma diferença de grau", diz Forbes.

CONTA CONJUNTA
Doenças à parte, alguns especialistas estudam problemas da vida comum -afinal, quem nunca se viu enrolado em dívidas?
A socióloga e consultora Glória Maria Garcia Pereira, autora de "As Personalidades do Dinheiro" (ed. Campus, esgotado), afirma que há padrões de personalidade inconscientes que determinam nossa relação com dinheiro e que a chave para não sofrermos com a ciranda financeira é descobri-los.
"Quando a pessoa compreende como [os padrões] funcionam, é um alívio incrível. Não precisa mudar sua personalidade, mas aprender a lidar com ela para não sair prejudicada."
A relações-públicas Carolina Decresci, 27, que levou mais de um ano para sair do vermelho, descobriu o quanto era desorganizada na hora em que sua dívida do cartão de crédito estourou.
"Minha conta bancária era como meu guarda-roupa, uma bagunça total. Mas são coisas que só eu mexo, ninguém vê nem sabe o que está acontecendo."
Quando a situação ficou inadministrável, ela teve que tirar do armário esse aspecto de sua personalidade. "Surpreendi as pessoas, achavam que eu era tão certinha..."

ALÉM DA PLANILHA
Ao lidar com dinheiro, não dá para escapar da matemática de somas e subtrações. Mas as contas não fecham só por uma questão de cálculo.
Entre as emoções que interferem no saldo final, culpa, medo e autossabotagem são as mais comuns, segundo Christian Barbosa, consultor em produtividade e administração do tempo.
Difícil é abrir esses dados na conta pessoal. "É mais fácil falar de sexo do que de grana. Quando a pessoa fala de seu dinheiro, está expondo suas competências e sua vida privada", diz a psicóloga Valéria Meirelles, que prepara uma tese sobre o tema.
Já o psicanalista Jorge Forbes acha que tanto dinheiro quanto sexo deixaram de ser tabus. "As pessoas falam abertamente só porque tratam o sexo com objetividade e o dinheiro sem emoção, mas os dois carregam sempre uma carga afetiva. As necessidades se resolvem na planilha, mas os desejos, não."
O que não implica que só se resolvam com uma descida às profundezas do inconsciente ou das agências de proteção ao crédito.
As emoções do dinheiro estão ligadas à nossa disposição para correr riscos, diz o neurocientista Álvaro Dias, do Laboratório de Neurociências Clínicas da Unifesp. Ou a quanto o prazer de ganhar supera o desprazer de perder.
Segundo Dias, os estudos mais recentes mostram que essas tendências são flexíveis, mudam conforme o ambiente e as regras do jogo. Quer apostar?

ESCRAVO
Ele vive para pagar contas e se sente obrigado a fazer o que não quer por causa disso. Coloca-se no papel de vítima (do 'sistema', dos patrões, da família, dos credores) e o dinheiro para ele se torna um mal do qual não quer escapar. É movido por raiva e medo -a primeira por ter de se submeter à 'escravidão' e o segundo por não saber como sobreviver fora dela

DESLIGADO
Não ligar para dinheiro pode até parecer uma vantagem, mas essa característica costuma estar relacionada à imaturidade. O desligado não honra compromissos e se acomoda no papel de dependente (econômico e emocionalmente). Pode ser alguém realmente desapegado, mas também pode ser um egoísta que não quer se comprometer com as necessidades dos outros nem sofrer com as suas.

AVARENTO
É a pessoa que nega, retém, não troca. Guarda para uma ocasião futura que não chega, adiando um prazer imaginado, mas nunca usufruído. O medo de perder e de sofrer é maior do que um incerto prazer obtido. Para afastar esses medos, quer controlar tudo: ganhos e gastos. Costuma ser inseguro e carregar sentimentos de culpa, porque, na cultura ocidental, a avareza é moralmente condenada.

REVOLTADO
Tem raiva do dinheiro (e da falta dele) e não gosta de falar no assunto. Pode expressar imaturidade e dificuldade em lidar com limitações. Em alguns casos, a revolta representa um desejo de autoafirmação; em outros, reflete um ambiente cultural em que o dinheiro é considerado algo 'sujo' e perverso

ESBANJADOR
Compra o que quer e o que não quer, tendo como bancar o gasto ou não. Se está alegre e quer se divertir, gasta. Se está triste ou frustrado, gasta mais ainda. É impulsivo e imediatista. É comum o gastador ser uma pessoa extrovertida e se socializar facilmente, mas esse tipo de personalidade financeira também pode ser um comportamento de pessoas depressivas 
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Reportagem por  IARA BIDERMAN DE SÃO PAULO
Fonte: Folha on line, 12/06/2012
Imagem da Internet

sábado, 16 de junho de 2012

A última carta de amor


Londres, 1960. Ao acordar em um hospital após um acidente de carro, Jennifer Stirling não consegue se lembra de nada. Novamente em casa, com o marido, ela tenta sem sucesso recuperar a memória de sua antiga vida. Por mais que todos á sua volta pareçam atenciosos amavéis, Jennifer sente que alguma coisa está faltando. É então que ela descobre uma série de cartas de amor escondidas, endereçadas a ela e assinadas apenas por "B", e percebe que não só estava vivendo um romance fora do casamento como também parecia disposta a arriscar tudo para ficar com seu amante. Quatro dácadas depois, a jornalista Ellie Haworth encontra uma desssas cartas endereçadas a Jennifer durante uma pesquisa nos arquivos do jornal em que trabalha. Obcecada pela ideia de reunir os protagonistas desse amor proibido - em parte por estar ela mesma envolvida com um homem casado - Ellie começa a procurar por "B", e nem desconfia que, ao fazer isso talvez encontre uma solução para os problemas de seu próprio relacionamento. Com personagens realísticos complexos e uma trama bem elaborada.

NIZAN GUANAES





Rio + muita coisa
A Rio+20 põe no holofote o papel do Brasil no mundo e o papel do Brasil no mundo da sustentabilidade
A Rio+20 é tão rica de significados que precisa ser vista de vários ângulos. Palco global, ela põe no holofote o papel do Brasil no mundo, o papel do Brasil no mundo da sustentabilidade e o novo papel da sustentabilidade no mundo.
Estamos bem nos três papéis, e a conferência de desenvolvimento sustentável que começa amanhã é uma oportunidade que a ONU nos dá de passar essa e outras mensagens ao mundo.
Será o primeiro de uma série de megaeventos que colocarão o Brasil no horário nobre da atenção mundial. É uma escalada incrível, como uma prova de que Deus é brasileiro: Rio+20, Copa das Confederações, Copa do Mundo, Olimpíada. Tudo começando e acabando no Rio de Janeiro, nossa cidade mais internacional, pronta para esse papel desde o dia de sua fundação.
Se fosse criar um plano de marketing para divulgar o Brasil no mundo, não poderia imaginar calendário melhor, começando justamente por uma área na qual o país apresenta credenciais e liderança importantes: a sustentabilidade.
A sustentabilidade deve ser nossa vocação natural, um grande caminho para destravar a inovação brasileira. A sustentabilidade hoje está inescapavelmente ligada à inovação. Presente do desenho de um novo produto até sua distribuição, consumo e descarte, ela está refazendo cadeias produtivas inteiras.
Não se preserva mais o ambiente simplesmente isolando o ambiente. O isolamento é cada vez mais impossível. Por isso, preservar é inovar, é inventar novas formas de produção e interação.
Há bons exemplos por toda parte. A Ambev estabeleceu padrões de uso e preservação de água, sua principal matéria-prima, e criou programas de defesa de recursos hídricos trabalhando diretamente com comunidades pela sustentação de ecossistemas. A Nike criou um índice de sustentabilidade de materiais para orientar seus designers em relação ao impacto ambiental de suas criações.
Essa busca cada vez mais intensa pela sustentabilidade transforma os serviços, a indústria, a agropecuária, todos os setores da sociedade e da economia. E estamos vendo apenas o começo dessa nova mentalidade, que passa pela nova relação dos consumidores com as cadeias produtivas, pela emergência definitiva do consumo cidadão.
Ações de sustentabilidade das empresas no começo eram acusadas de "marqueteiras" por puristas bem intencionados e céticos de plantão, que viam contradição em grandes corporações financiando preservação ambiental e responsabilidade social.
Mas não existe sustentabilidade marqueteira. Ou você a coloca dentro do seu modelo de negócios ou você está fora da onda e fora do mercado no médio prazo. A mensagem do marketing agora é compre, mas de maneira responsável. E vale para toda a cadeia: produza de maneira responsável, se relacione com consumidores, com acionistas, com fornecedores, com todos, de maneira responsável.
As iniciativas de sustentabilidade tanto não eram "marqueteiras" que cresceram nas corporações, forçadas ou apoiadas por consumidores demandantes, e hoje se tornam departamentos de inovação e sustentabilidade, uma conjugação óbvia e duplamente benéfica para empresas e para consumidores.
Não fazemos mais as coisas movidos por utopia, por ideologia ou por religião: quem mais nos move hoje são as pessoas próximas, nossos filhos, nossos parceiros, nossos amigos e nossos familiares. Para eles, queremos um futuro que só a sustentabilidade pode sustentar.
Vejo no extraordinário acervo digital que a Folha abriu ao público na web que as manchetes durante a Eco-92 foram dominadas pela crise política que culminou no impeachment de Fernando Collor de Mello. Era o primeiro presidente eleito democraticamente depois da ditadura militar e que seria deposto dentro do rito constitucional numa prova de força da nascente democracia brasileira.
Depois de 20 anos, ainda temos muito a fazer, mas nossa democracia é forte, nossa economia é sólida, nosso povo é mais feliz e mais próspero. E nossa floresta, imensa e exuberante, segue em boa parte de pé.
O mundo precisa conhecer esse novo Brasil. É hora do show.
NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC, escreve às terças-feiras, a cada 14 dias, nesta coluna.


DANUZA LEÃO - Responda, se tiver coragem

Até porque a felicidade é sempre coisa do passado ou do futuro -ah, como foi bom, ah, como vai ser bom



VOCÊ É FELIZ? A essa pergunta, tão curta e aparentemente tão simples, ninguém responde rápido, nem que sim nem que não.
A resposta costuma ser tipo "bem, quando penso na situação da maioria dos brasileiros, não dá para dizer que eu seja infeliz". Não foi essa a pergunta, as pessoas sempre se enrolam.
É difícil mesmo, até porque a felicidade é sempre coisa do passado ou do futuro -depois que o apartamento for comprado, as férias foram maravilhosas, quando a filha se casar, quando arranjar um namorado ou quando me separei, ah, como foi bom, ah, como vai ser bom. Sempre antes ou depois.
As pessoas têm um certo pudor de confessar que são felizes; somos todos supersticiosos, e se queixar um pouco da vida faz parte, para não despertar a inveja dos amigos e a ira dos deuses. E mais: na hora em que se é feliz não se tem consciência do que está acontecendo -complicada, essa tal de felicidade.
O que não se deve é confundir: acontecem às vezes momentos maravilhosos em lugares deslumbrantes, com pessoas incríveis, e se imagina que aquele é um dos grandes momentos da vida, se imagina até mesmo que aquilo é a felicidade.
Anos depois, desses momentos só vai sobrar uma foto, se sobrar, e na memória, quase nada; no coração, nem pensar. Bom mesmo é ser feliz e perceber; quando você come um chocolate bem gostoso, é melhor achar bom na hora ou dois anos depois?
Para isso é preciso um certo treino: o dia de hoje, por exemplo, está sendo bom, ruim ou regular? Pense um pouco: aconteceu alguma coisa boa desde que você acordou? Não? Mas nada mesmo? Será?
Para começar, você acordou, abriu os olhos e viu a luz do dia; quando abriu a torneira, tinha água, o jornal estava na porta, e os gatos brincando. E mais: com um dia inteiro pela frente, dá para tomar certas decisões, do tipo "hoje vou ser feliz". Já é um começo.
É bem verdade que às vezes a vida não dá trégua, mas com o tempo a gente aprende a se defender, e uma boa estratégia é evitar qualquer discussão, e dizer sim a tudo.
Quando ouvir um "você engordou um pouco", diga que é verdade, e que está péssima -dizer que está péssima atrai as simpatias gerais.
Ache graça em tudo o que disserem e peça opinião sobre tudo: do namorado com quem não sabe se deve se casar ou abandonar para sempre até qual a melhor dieta -o que não quer dizer que vai seguir quaisquer dos conselhos.
Com isso está comprando seu sossego, isto é, sua felicidade, o que não tem preço.
E sua personalidade, suas opiniões, onde ficam? Ora, não há nada mais insuportável do que pessoas que têm opinião; bom mesmo são as que concordam com a gente o tempo todo.
E pensando bem, não custa nada dizer sim, sim, sim. Afinal, não é um preço assim tão alto para que todos sejam felizes.
E você? Bem, querer que todos sejam felizes e você também é querer demais, mas mesmo assim, não custa lembrar: ser feliz, ao contrário do que dizem, não é pecado.
PS - O grande escândalo do diretor do FMI me fez pensar. A arrumadeira entrou para arrumar o quarto; ele, que estava no banheiro, abriu a porta (nu) e viu a moça.
Imagino que seja preciso um tempo para que o desejo masculino aconteça; tempo suficiente para ela sair correndo (e à visão do personagem em questão, nu, mais correndo ainda).
Lembro de Mike Tyson que, anos atrás, convidou uma moça para subir em seu quarto de hotel; ela, pobre inocente, aceitou, depois o acusou de tentativa de estupro, e o lutador foi condenado a seis anos de cadeia. Ah, essa América puritana.

danuza.leao@uol.com.br

Flagelo da classe média

CONTEÚDO LIVRE: LUIZ FELIPE PONDÉ - Flagelo da classe média: Basta ver o tanto de bobagens que se fala no Facebook, tipo "fui ao banheiro" NÃO SOU BEM RESOLVIDO, tenho muitos preconceitos. Um dele...

Kátia Abreu


A China é logo ali

Para conquistar o maior cliente mundial, nossa agenda com os chineses pode e deve ser agressiva

A CHINA impressiona. E a primeira boa impressão que tive, em recente visita àquela potência econômica, foi a de que os chineses são eficientes, objetivos, profissionais, aceitam pautas desafiadoras e estão de portas abertas para o Brasil. Tudo isso, mas não só isso: lá, crescer é uma decisão política.
Não é difícil compreender a essência da China dos dias de hoje, em que a reestruturação da economia e o enriquecimento do país é uma tarefa central para seus executivos e seus governantes.
As autoridades chinesas pressentiram que, com 1,3 bilhão de habitantes, não é possível um país permanecer estável, ser internacionalmente influente, se não alcançar um processo robusto e equilibrado de desenvolvimento.
Há uma impetuosidade na busca do crescimento e do progresso. Por onde se anda é visível que o país está mudando a economia, combatendo a pobreza, transferindo a população do campo para cidades planejadas, distribuindo a riqueza, usando mão de obra própria e, ao mesmo tempo, importando inovação e tecnologia de qualquer lugar do mundo. O resultado é surpreendente.
O que se vê, além da ousadia dos seus dirigentes, é o senso de urgência do país, mas os bens coletivos -estradas, ferrovias, portos, aeroportos, estações- são monumentos à modernidade e projetados para o futuro.
A estratégia de charme da China se tornou ostensivamente material: arquitetura arrojada, intervenções ambientais radicais, urbanismo furioso e determinado -essa é a cara da "nova China".
Da "velha China" ainda resta o modelo híbrido de socialismo político e capitalismo econômico que, à primeira vista, acaba passando a ideia de que é uma virtude a combinação de autoritarismo e prosperidade. Não é. O país ainda paga um alto preço humano pela ausência de liberdade e pela dificuldade do regime em lidar com críticas, com a imprensa livre e com a organização da sociedade civil.
A economia chinesa está baseada no centralismo político com planejamento estatal, por isso o protecionismo é uma constante. Se a nossa indústria sofre, o setor agropecuário brasileiro não enfrenta grandes barreiras, pois temos escala, tecnologia e competitividade.
Nossa agenda com os chineses pode e deve ser agressiva. Eles precisam -e muito!- do alimento produzido no Brasil. Basta ver que mais de 30% das exportações do agronegócio brasileiro para lá são dirigidas.
Paz e competição formam o lema chinês. Por isso, é notória a ligação entre a diplomacia política e a diplomacia comercial. Os países que mais fazem negócios com a China são os que estão dispostos a viver a vida em mandarim. O que vimos em todos os momentos, em nossa viagem, foi uma forte presença de empresas europeias e norte-americanas no país, embaixadas com centenas de funcionários, mostrando que não importa a distância para ser "amigo íntimo" da China.
A imagem do Brasil -"o país do café"- e seus produtos, especialmente os agrícolas, é boa, mas claramente insuficiente. A pauta focada em poucos produtos e sem desdobramentos internos na direção da criação de marcas e produtos sino-brasileiros limita -e até esconde- nossa presença.
A compreensão recíproca das limitações é notória, ou seja, a China dá grande importância ao desenvolvimento das relações com o Brasil, mas percebe-se que não há relação estratégica sólida.
Por enquanto, o "negócio da China" tem sido bom apenas para os chineses -e para algumas poucas empresas.
É preciso que o Brasil fortaleça o intercâmbio e a presença para aumentar a confiança e promover a cooperação. Aumentar os canais de comunicação e os mecanismos de consulta, buscando sempre o diálogo direto, é a melhor forma de conhecer os chineses.
A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) entendeu e aceitou esse desafio. Até o final deste ano, estaremos com nosso escritório em Pequim, representando a agropecuária, que reúne as melhores vantagens competitivas para conquistar o maior cliente do mundo. A China é logo ali.
KÁTIA ABREU, 50, senadora (PSD-TO) e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), escreve aos sábados, a cada 14 dias, neste espaço.

Quanto vale seu dinheiro?

CONTEÚDO LIVRE: GUSTAVO CERBASI - Quanto vale seu dinheiro?: Corte dos seus planos de compra o prazer que dura pouco e tira a oportunidade de consumo mais produtivo HÁ DOIS MESES, estive em Lisboa ...


ARNALDO NISKIER Usos e abusos na língua portuguesa




FOLHA DE S.PAULO,30 DE MAIO.2012
Na escrita, a norma culta tem de ser respeitada. A prova da OAB mostra o que acontece quando os alunos não sabem utilizá-la: 93% de reprovação
Na imprensa portuguesa, vez por outra, publica-se crítica à existência do acordo ortográfico de unificação da nossa língua.
Alguns jornais afirmam que os filólogos brasileiros encheram o documento de "bizarrices inúteis", enquanto outros reclamam que a Academia das Ciências de Lisboa, parceira do projeto, errou pelo excesso de "cedências" às hipotéticas pressões neocolonialistas do Brasil.
É evidente que nada disso faz sentido. Devemos ter mesmo só uma forma de expressão escrita, para que o nosso idioma passe a ser, estrategicamente, adotado como uma das línguas oficiais da Organização das Nações Unidas. Falar é outra coisa. Cada um segue falando de acordo com a sua tradição.
Da mesma forma, não se pode defender a existência interna de uma separação linguística, dividindo o falar do rico e do pobre.
O Vocabulário Ortográfico, editado pela Academia Brasileira de Letras, tem 370 mil verbetes, o que é uma amostra da sua força e da disponibilidade das palavras para todos. Machado de Assis fez toda a sua extraordinária obra de romancista com o emprego de somente 16 mil vocábulos.
Temos uma realidade plurilinguística, considerando-se basicamente que a norma padrão (culta) deve ser respeitada nos códigos escritos, pois são esses que, mais tarde, os estudantes terão que utilizar nos seus diversos concursos.
Veja-se o que aconteceu na seccional paulista da OAB. Dentre os 20.237 candidatos (bacharéis em direito), o índice de reprovação foi de 92,8%, o que levou o presidente Luiz Flávio Borges D'urso a afirmar que "há pessoas que chegam à prova e não sabem conjugar verbos ou colocar as palavras no plural".
Você já imaginou as petições que serão escritas por essa gente?
Para debater o assunto, que envolve também o uso exagerado do terrível internetês, as Academias Brasileira e Paulista de Letras realizaram seminários em defesa da língua portuguesa.
Na ocasião, comemorou-se o fato de a venda de jornais ter crescido significativamente nos dois últimos anos, desmentindo a tese catastrofista de que os impressos em geral serão desbancados em curto espaço de tempo pela mídia eletrônica.
Num estudo intitulado "Medium Matters" (em português, pode significar tanto "Questões de Meio" quanto "O Meio Importa"), da Universidade de Oregon (EUA), afirma-se que um leitor de jornal em papel retém o conteúdo mais que um leitor on-line. Isso parece ter sido percebido pelo povo brasileiro, inclusive os integrantes da sua ampliada classe média.
Antes de nos entregarmos totalmente ao emprego do tablete, convém que se prepare mais adequadamente os nossos professores e especialistas.
Encher as escolas, desordenadamente, de computadores de todos os tipos não será a forma de promover o que é essencial: o conhecimento mais profundo dos mistérios e da beleza do idioma de Fernando Pessoa e Manoel Bandeira.

Soluções para o lixo eletrônico...



CONTEÚDO LIVRE: Maria Inês Dolci - Soluções para o lixo eletrônico...: Cada consumidor brasileiro descarta meio quilo de lixo eletrônico por ano; na China, é menos da metade  Olhem nas gavetas, nas pr...


BICHOS
JAIME SPITZCOVSKY - jaimespitz@uol.com.br
Cães e a era Facebook
Em seu perfil, Beast -o cão de Mark Zuckerberg- tem a bagatela de mais de 570 mil usuários que o "curtem"
UM CHARMOSO puli, exótica raça húngara, galvanizou atenções num dos casamentos mais badalados do ano. Beast, na cerimônia, acompanhou a noiva Priscila Chan na passarela improvisada entre os cerca de 100 convidados para chegar a Mark Zuckerberg, o homem do Facebook. Sua bilionária companhia, além de oferecer um perfil do cão do próprio dono, também anunciou adesão a uma campanha contra as infames "fábricas de filhotes".
Em seu perfil, Beast tem a bagatela de mais de 570 mil usuários que o "curtem". Mas nem tudo é felicidade na página do pet, que insinua momentos de nostalgia. Parece, segundo o dono, sentir falta de ovelhas para cuidar. É um cão de pastoreio, distante das atividades de seus antepassados, hoje confortavelmente instalado numa casa em Palo Alto, na Califórnia.
O álbum escancara a vida do filhote da fase destruidora, ao, por exemplo, dilacerar um rolo de papel higiênico, à etapa adulta e adestrada. Em uma foto, Beast espera pacientemente a autorização para devorar um petisco. O cão também demonstra se aborrecer com tecnologia. Zuckerberg surge numa imagem tentando "doutrinar" o amigo sobre as vantagens do mundo virtual, com a possível intenção de transformá-lo num nerd de quatro patas. Mais tarde, porém, o puli aparece ao lado de Priscila Chan e de um notebook, cheio de sono provocado, segundo o perfil, pelo computador.
Embora o cãozinho de origem húngara tenha rejeitado a tentativa de cooptação tecnológica, fiquei com a impressão de que foi engolido por alguns maneirismos urbanos ou efeitos colaterais tecnológicos. A raça se notabiliza pelas ramas de dreadlocks, ao estilo Bob Marley. Beast parece excessivamente penteado, lembrando maltês ou sheepdog. Pode ser também "chapinha canina", opção estética imposta pelo dono.
O Facebook constitui uma vitrine privilegiada para exibir e apreciar nossos amigos de quatro patas. A empresa busca ainda mostrar responsabilidade social ao anunciar, cerca de dois meses atrás, que embarcava numa campanha da centenária ASPCA, criada em 1866 para promover o bem-estar animal.
A companhia se comprometeu a banir anúncios de "fábricas de filhotes", simulacros de canis responsáveis pela produção em série de animais, sem condições de higiene, e preocupações com saúde e futuro dos reprodutores. Correspondem a versões humanas de um inferno dantesco imposto a cães.
Nos últimos dias, o FB também atraiu cinófilos ao servir de plataforma para disseminar cena registrada em Phoenix, no Arizona. A foto capturou a imagem de um pit bull ao lado de corpo da fêmea, da mesma raça, morta à beira da estrada, provavelmente por atropelamento.
O pit bull aparece deitado e esfregando o focinho na companheira morta. Permaneceu no local por mais de 14 horas, até que o corpo fosse recolhido. Não se arredou.
AMANHÃ EM COTIDIANO
Francisco Daudt

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A mãe possível



É melhor errar na criação dos filhos do que acertar seguindo um manual, diz psicanalista
Como criar filhos saudáveis num mundo em que a tecnologia substitui o contato humano e as famílias têm novas configurações, com separações e recasamentos?
Em entrevista à Folha, o psicanalista Leopoldo Fulgêncio, 52, fala da função materna hoje à luz da teoria de Donald Winnicott (1896-1971), psicanalista inglês criador do conceito de “mãe suficientemente boa”. Pai de dois filhos e um enteado, Fulgêncio leciona na PUC de Campinas, interior de SP.


Folha – O que significa ser uma “mãe suficientemente boa” hoje?
Leopoldo Fulgêncio – É aquela que, ao suprir as necessidades do filho, cria a possibilidade de ele ter fé na vida, nas pessoas. A função materna sempre foi cuidar. A matriz do amor é o cuidado, não ficar dizendo que ama e dando explicações sobre como as coisas devem ser.
Como lidar com o medo de errar?
É melhor uma mãe que erre porque está empenhada em descobrir o seu jeito de fazer as coisas do que uma que acerte por causa de um manual. Ser mãe é muito complexo e o melhor jeito de saber como agir não é com uma cartilha. A mãe deve ser incentivada a ficar em contato com seus filhos e a agir de acordo com seus próprios sentimentos.
Quais são os desafios das novas famílias?
Casais héteros ou homossexuais têm que lidar com as próprias ambiguidades para não passar os seus dilemas para os filhos. Seja qual for o problema a enfrentar, fingir que ele não existe não é a solução. Recomendo sempre a comunicação verdadeira. No caso de filhos pequenos, não faltam fábulas para ajudar a elaborar as questões das diferenças e das separações.
Qual é o impacto da tecnologia nas relações familiares?
O problema é a medida: quando a tecnologia se sobrepõe, ela mata as relações. Os pais podem usar recursos tecnológicos [como mensagem de celular] para falar com seus filhos, mas isso não substitui a presença. É atribuição dos pais regular o uso da tecnologia porque os filhos não percebem o seu alcance.
Na adolescência, estar presente pode ser mais difícil…
É preciso manter-se disponível para uma fase de intensas negociações -se vai ou não vai, a que horas sai, com quem etc. -, suportar brigas decorrentes disso e mostrar que, apesar delas, você continua ali. É normal que adolescentes se oponham aos pais. É uma questão de identidade.
E se o cuidado materno faltar ou falhar em alguma fase?
A criança será prejudicada de muitos modos. Pode perder a fé no mundo, sentir muita dificuldade para ver o outro, para se relacionar, para aprender. Pode até perder o interesse pela realidade. Em casos graves, durante a fase inicial da vida, corre o risco de desenvolver autismo -essa era uma das hipóteses de Winnicott.
A maternidade, então, tem uma função social?
Se o Brasil quer amadurecer, deve investir mais nas mães e na primeira infância. A mãe não pode fazer tudo sozinha. Precisa do apoio do pai dos filhos, da família e também de escolas, creches, licença-maternidade, enfim, de reconhecimento social.
(por Déborah de Paula Souza)

Manifesto das coroas poderosas



Tirando a parte de falta de homem, já me filiei ao partido...


Mulheres de qualquer idade que estão cansadas de sofrer com as pressões sociais, unam-se

No dia 1° de junho de 2010 publiquei a minha primeira coluna no Equilíbrio. Desde então, foram dezenas de textos de muita repercussão, como "Nem marido, nem namorado", "O marido como capital", "Novas velhas", "Sozinhas", entre tantos outros. No entanto, a coluna de maior sucesso foi a que intitulei "Movimento das Coroas Poderosas". Recebi inúmeras mensagens apoiando entusiasticamente a proposta.

Para comemorar dois anos de um intenso e prazeroso diálogo com meus leitores e leitoras, decidi publicar o "Manifesto das Coroas Poderosas". Aquelas que quiserem aderir ao movimento (ou sugerir ideias) podem escrever.

Os asteriscos finais são uma homenagem à histórica entrevista de Leila Diniz a "O Pasquim", em 1969. Leila é a musa que inspirou a criação do "Movimento das Coroas Poderosas" e de todos os textos aqui publicados. Ela morreu, aos 27 anos, em um acidente aéreo, em 14 de junho de 1972. Aí vai o manifesto:

"A coroa poderosa não se preocupa com rugas, celulites, quilos a mais. Ela está se divertindo com tudo o que conquistou com a maturidade: liberdade, segurança, charme, sucesso, reconhecimento, respeito, independência e muito mais.

Ela quer rir, conversar, sair, passear, dançar, viajar, estudar, cuidar da saúde, ter bem-estar e qualidade de vida, enfim, 'ser ela mesma' e não responder, desesperadamente, às expectativas dos outros. Quer exibir o corpo sem medo do olhar dos homens e das mulheres, sem vergonha das imperfeições e sem procurar a aprovação dos outros.

A coroa poderosa descobriu que a felicidade não está no corpo perfeito, na família perfeita, no trabalho perfeito, na vida perfeita, mas na possibilidade de 'ser ela mesma', exercendo seus desejos, explorando caminhos individuais e tendo a coragem de ser diferente. Ela sabe que não deve jamais se comparar a outras mulheres, porque cada uma é única e especial.

Portanto, como presidente, secretária, tesoureira e única militante do 'Movimento das Coroas Poderosas' (já que todas as amigas que chamei para participar do movimento se sentiram ofendidas) convoco todas as mulheres, de qualquer idade, que estão cansadas de sofrer com as pressões sociais, com a decadência do corpo e com a falta de homem (ou com as faltas dos seus homens) a se unirem ao nosso grito de guerra:

'Coroas poderosas unidas jamais serão vencidas!'

'F**-se as rugas, as celulites e os quilos a mais!'" 

 miriangoldenberg@uol.com.br 

CONTEÚDO LIVRE: Rosely Sayão - O limite do apego

CONTEÚDO LIVRE: Rosely Sayão - O limite do apego: Filhos precisam ser prioridade, mas priorizá-los não significa se dedicar exclusivamente a eles "Você é mãe o suficiente?" Foi com essa f...


sábado, 2 de junho de 2012

Marion Strecker - Detox digital



Estou aprendendo a me desligar; estou aprendendo a me religar, usando a tecnologia a meu favor


Estou em tratamento. Sou a paciente e minha própria médica. Tomei consciência de quanto viciada e intoxicada estou de tecnologia.

Demorei a perceber. Achava que sempre era eu quem estava no comando da situação. É assim com qualquer dependência. Achei que sabia tirar o melhor proveito dos eletrônicos, dos sistemas, dos sites, das redes sociais. Mas agora reconheço que não.

Agora reconheço que quem mandava no meu tempo não era eu: era o fluxo dos aparelhos e sistemas eletrônicos que uso. Era qualquer um, menos eu.

As manchetes da revista que tenho ao lado são "How to be a geek dad" ("Como ser um pai 'geek'") e "The 5 geekiest family vacation spots" ("Os 5 lugares mais 'geek' para as férias da família"). A revista é a "Wired". Pela primeira vez não acho graça.

Sinto-me na obrigação de traduzir "geek" para os não viciados. "Geek" é o estusiasta de computação. O termo é usado com orgulho entre os próprios. Mas, quando dito por alguém que não é "geek", atenção, pode ser xingamento.

Comecei a desconfiar de que havia algo errado quando meu tempo desapareceu. Sim: desapareceu, escafedeu-se, sumiu. Por mais horas que ficasse à frente do computador todos os dias, tentando sofregamente trabalhar, minha produtividade caiu a um nível insuportável.

Achei que andava apenas distraída, num país diferente, vivendo temporariamente em outra língua, tantas coisas práticas para resolver, tantos papéis novos a representar, tantos caminhos a escolher pela frente, tantas decisões a tomar.

Comecei a sentir falta de música. Uma falta profunda, daquelas de quem um dia considerou a hipótese de se tornar musicista. Mas, sempre que queria ouvir música, pegava o iPhone com a incrível discoteca acumulada ali e antes de ouvir, lá estava eu distraída com notícias, e-mails, Twitter, Facebook, Instagram e tudo o mais. Isso aconteceu centenas de vezes. Eu simplesmente não conseguia ouvir música.

Algo semelhante se passava no computador. Sentava para escrever e, antes de começar, lá estava eu apagando propaganda não solicitada, lendo boletins variados, vendo fotos de desconhecidos, lendo textos que nada me acrescentam e me deixando distrair por um fluxo qualquer que viesse a aparecer no meio do percurso que queria ter feito e não fiz.

Disciplina, sim, disciplina. Comecei a listar tarefas. Listas grandes. Demorei a perceber que a lista tem de ser curta para ser concluída.

Vida profissional e pessoal se misturam na internet. Quem no Brasil tem coragem de recusar um colega (ou quem sabe um superior) no Facebook? Que RH ignora redes sociais quando avalia candidatos ou mesmo funcionários?

Arriscar coisas perigosas, como escrever no celular enquanto caminha ou dirige. Ouvir reclamações por dar mais atenção ao seu "bichinho" eletrônico do que a pessoas do seu lado. Não se lembrar do que as pessoas falaram, pois sua atenção estava com o aparelho. Ter a sensação de que nada é realidade a não ser que seja contado pelo Twitter ou publicado como foto instantânea no Facebook ou no Instagram.

Gastar mais tempo na internet do que em pessoa com os melhores amigos. Ter a ilusão de saber como estão os familiares apenas pelo que publicam no Facebook. Pôr o telefone sobre a mesa do restaurante, antes de pegar o cardápio. Frequentar ambientes em que todos ficam lendo mensagens em vez de conversar. Usar aparelho escondido para não parecer viciado.

Acho que essa hiperconectividade é no fundo um desejo infantil e irrealizável de ter tudo ao mesmo tempo agora. Sinto culpa e angústia por estar off-line, demorando para reagir a uma mensagem que talvez tenha chegado, embora eu ainda não saiba.

Essa angústia toda de a persona on-line ficar vulnerável a um destino desconhecido, pois não estamos a seu lado para protegê-la das maldades anônimas.

Quem sou eu e quem é essa persona, esse avatar, esse clone, esse duplo meu que vive nas redes elétricas do planeta?

Estou aprendendo a me desligar. Estou aprendendo a me religar, usando a tecnologia a meu favor. Não é fácil, mas estou confiante.

MARION STRECKER é jornalista, cofundadora e correspondente do UOL em San Francisco.

marionstrecker@gmail.com

Folha de S.Paulo
31/05/2012

Pasquale Cipro Neto - "Meu reino por um parêntese"...



Para saber se você acertou no emprego dos parênteses e no dos demais sinais de pontuação, imagine... 



NA COLUNA de 3 de maio ("Quem é quem?"), tratei da má redação de um texto jornalístico, que exigia do leitor esforço desnecessário para a captação imediata da mensagem.

Relembro um trecho da coluna, que dei como sugestão de redação mais eficiente: "Beltrano de Tal, suspeito da morte de Fulano de Tal, diretor distrital da rede de supermercados XX, entregou-se nesta segunda-feira...". Como bem apontou um atentíssimo e especial leitor, essa redação ainda não era nenhuma maravilha, já que não deixava definitivamente claro a que elemento se referia a passagem "diretor distrital...". Em passagem posterior da tal coluna, fiz algumas observações que talvez tenham deixado clara a relação entre os elementos da história.

O fato é que acabei trocando algumas boas mensagens com esse leitor, que, como já afirmei, além de atentíssimo, é especial (trata-se de alta figura da República, daqueles que integram a chamada reserva moral do país -não o nomearei porque não lhe pedi licença para isso). Na primeira mensagem que lhe escrevi, afirmei o seguinte: "...bastava ter usado os parênteses para evitar qualquer problema". Resposta do caro leitor (que, entre outras nobres atividades, exerce a de escritor): "Meu reino por um parêntese. Claro que ficou ainda melhor".

Pois vamos ver como fica o tal trecho com os parênteses: "Beltrano de Tal, suspeito da morte de Fulano de Tal (diretor distrital da rede de supermercados XX), entregou-se...". Agora não há mesmo nenhuma dúvida sobre quem é quem.

O emprego dos parênteses exige a abertura de algumas "chaves" durante a escrita e a leitura, já que, depois de ler o que fica dentro desses sinais de pontuação, é preciso conectar o termo seguinte à passagem anterior. Tomemos como exemplo o próprio trecho que mencionei e que agora relembro: "Beltrano de Tal, suspeito da morte de Fulano de Tal (diretor distrital da rede de supermercados XX), entregou-se...". Os parênteses obrigatoriamente vinculam o que está dentro deles ao termo anterior, ou seja, vinculam "diretor distrital" a "Fulano de Tal".

Volte ao parágrafo anterior. Notou a presença de uma vírgula depois do segundo parêntese, aquele que fecha a expressão "diretor..."? Por que essa vírgula? O que vou dizer agora vale para todos os casos em que se empregam os parênteses. Vamos lá. Para saber se você acertou no uso dos parênteses e no dos demais sinais de pontuação (vírgula, travessão etc.), faça o seguinte: imagine que os parênteses queiram "abraçar-se" ou "beijar-se". A vontade é tanta que um sai ao encontro do outro, pulverizando o que há entre eles. Quando se encontram, saem de mãos dadas pelo mundo e abandonam o texto em que estavam. Pois bem. O que sobrou tem de fazer sentido, manter a estrutura etc.

Faça isso com o trecho que citei. Sobra isto: "Beltrano de Tal, suspeito da morte de Fulano de Tal, entregou-se...". Deu certo, não? Note que, quando se usam os parênteses, a vírgula que se põe depois de "suspeito da morte de Fulano de Tal" vai para depois do segundo parêntese.

Agora vejamos outro exemplo: "Katmandu (capital do Nepal), recebe anualmente milhares de turistas". Se os parênteses pulverizarem o que há entre eles e depois sumirem na bruma, o que sobra? Sobra isto: "Katmandu, recebe anualmente...". Que tal a vírgula? Fulmine-a, já que ela separa (erroneamente) o sujeito do verbo. A forma correta é esta: "Katmandu (capital do Nepal) recebe anualmente...". Seria possível também trocar os parênteses por duas vírgulas: "Katmandu, capital do Nepal, recebe anualmente...". É isso.

inculta@uol.com.br
Folha de S.Paulo
31/05/2012 

A panaceia

CONTEÚDO LIVRE: Moisés Naím - A panaceia: Em todas as partes do mundo, inúmeros candidatos prometem ser o presidente "da educação" QUAL É a solução para a pobreza? A educação...


Por um país grande, realmente de todos



FOLHA DE S.PAULO, 01/06/2012

Para universalizar matrículas, políticas homogêneas serviam. Agora é preciso mudar. Médias escondem os alunos que estão muito atrás ou muito à frente
Em várias áreas, a desigualdade ainda é uma das características mais marcantes do nosso país, um eco da nossa história que torna comum a ideia de que é natural que existam diferenças de oportunidades entre os grupos sociais.
A desigualdade educacional talvez seja a mais cruel de todas. Tão importante quanto melhorar a qualidade da educação básica, garantindo a aprendizagem de que os alunos precisam para a vida, é combater as desigualdades educacionais.
Diversos indicadores educacionais apontam para resultados extremamente desiguais. E um resultado ruim puxa outro.
As crianças que vivem em famílias mais pobres frequentam menos a educação infantil. A taxa de conclusão do ensino médio é menor entre os jovens cujas mães têm baixa escolaridade. As escolas que apresentam resultados de desempenho mais baixos estão concentradas nas regiões mais pobres.
Em um país tão desigual, as médias dizem pouco. Elas são insuficientes para a avaliação dos cenários reais. Escondem, por exemplo, os que estão muito lá atrás ou os que estão muito à frente.
Quando o foco era universalizar as matrículas, as políticas eram mais homogêneas, pois construir uma escola, por exemplo, para uma criança com mais dificuldade em matemática é igual a construí-la para outra que esteja defasada em leitura e escrita.
Atualmente, o maior desafio é a qualidade do ensino, o que torna a política educacional mais complexa, pois ganhos de qualidade com maior equidade dependem de reconhecermos as diferentes necessidades de cada rede, escola e aluno.
Portanto, precisamos ter diagnósticos claros e mais desagregados, estratégias diversificadas e mais precisas e implementação competente e mais eficaz.
Não existe qualidade sem equidade. Os países que estão no topo do ranking mundial da educação apresentam uma média alta de desempenho e baixa desigualdade entre os alunos e redes.
Um exemplo é o Canadá, país entre os cinco primeiros colocados no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), que, apesar de abrigar um fluxo imigratório intenso de famílias de várias partes do mundo, tem uma das menores desigualdades educacionais.
Este é o momento de termos políticas públicas específicas para problemas específicos, adequadas a cada caso, que garantam uma atuação mais estratégica para lidar com um objeto muito mais sofisticado: a aprendizagem de todos e o combate à desigualdade.
Em uma sala de aula, nenhum aluno pode ficar para trás, esteja ele na região Sul ou na região Norte do país, seja ele de família de baixa ou alta renda. Os pontos de chegada dos alunos serão certamente diferentes, mas não se pode aceitar que alguns estejam tão defasados a ponto de acumular lacunas que impossibilitem seu sucesso ao longo de toda a sua trajetória escolar, com aprovação e aprendizagem.
Hoje, o Brasil passa por um momento importante de crescimento. Mas crescer economicamente sem aumento da qualidade e da equidade na educação é um equívoco.
É hora de que os frutos desse crescimento sejam usados para melhorar a vida de todos. Acima de outras prioridades estruturais, como os nós logísticos de infraestrutura e da questão tributária, se o Brasil quiser ser um país desenvolvido, sustentável, fortemente competitivo e socialmente justo, terá que colocar a questão da qualidade da educação no topo de suas prioridades.
Vale sempre lembrar que o direito à educação de qualidade é universal e igual para todos. O Brasil só será um grande país quando for realmente de todos.

PRISCILA CRUZ, 37, é diretora-executiva do movimento Todos Pela Educação

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O amor é lindo!!!

_Amorzinho, faz um favor pra mim ?

_ Faço sim

_Então, sabe aquela calça jeans que está atrás da porta?

_Sei sim...

_Se você tiver um tempinho, eu sei que você anda muito atarefada aqui em casa...., mas só se você tiver um tempinho - lava ela pra mim?

_Ok

_ Mas lava com a língua e seca assoprando!